A minha história
Da carreira "a sério" para a cozinha
Cresci em Moçambique, numa casa que à noite cheirava quase sempre a carvão e piri-piri. A minha avó cozinhava, a minha mãe cozinhava, as minhas tias cozinhavam — e ao fim de semana a rua inteira fazia o mesmo, porque metade de celebrar qualquer coisa em Moçambique é dar de comer a toda a gente que apareceu.
Não era isso, no entanto, que era suposto eu fazer. Como muitas crianças moçambicanas, a conversa sobre o meu futuro saltava completamente a comida: engenheira, médica, advogada — eram essas as respostas aceitáveis. Então estudei. Tirei o curso. E algures entre o diploma e o primeiro emprego percebi que a paixão simplesmente não estava ali. Estava noutro sítio — na cozinha caseira com que cresci, na comida que fazia para as pessoas de quem gosto.
O Plus258 é o que aconteceu quando deixei de discutir com isso. O "+258" no nome é o indicativo de Moçambique — o meu lembrete, em cada caixa e em cada menu, de que cada prato é uma linha direta de volta à costa.